quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sevilha: Uma maravilha a minha oitava Maratona!

Felicidade pura por uma maravilha de Maratona!
Venga, venga! Animo, animo!
Hey! Ho! Let's go!
Allez allez!
Si! Se puede!
Campeones!!!

São frases de apoio em forma de melodia que perdura nos nossos ouvidos. Incansável este público que nos acarinha durante 42 quilómetros, gritando, aplaudindo durante as horas que medeiam a passagem do primeiro ao último atleta. 
E que diferença faz na nossa prestação!

Depois da minha inesquecível presença em 2014, tornei a ser muito feliz em Sevilha. E se na altura sabia que iria regressar, que tinha de regressar, saí de Sevilha com a mesma sensação, a mesma sede de repetir aquele turbilhão de emoções que uma Maratona sempre proporciona mas sendo amplificada em Espanha por uma população que reconhece o esforço de todos e entra activamente na festa.
A somar a tudo isto, uma bonita cidade e uma organização irrepreensível. 

Comparando com 2014, o trajecto registou uma pequena alteração que vem do ano transacto. E essa alteração veio eliminar aquele que na altura pensei ser o único ponto menos positivo do trajecto. Assim, ao passarmos a ponte para reentrar na Isla de la Cartuja, víamos o estádio do lado direito mas tínhamos que lhe virar costas para uma volta de 2 km que nada trazia. E perto dos 40 ir para trás era penalizante a nível mental. 
Ora agora temos mais 2 km pela cidade e quando atravessamos a ponte dirigimo-nos logo para o estádio.
Outra vantagem, e importante, é que na altura que precisamos de (ainda mais!) apoio, 35 a 39 km, estamos a passar na zona onde os espectadores mais se acotovelam, chegando mesmo, em frente à Catedral, a estreitar a passagem, criando um corredor por onde passamos entre todo o tipo de apoio. 
E a força que isso dá!

A feira mantêm-se em muito bom estilo e até deixavam pegarmos no troféu do primeiro para uma recordação, como pode ser aqui visto.

Eu, atleta lá de trás, com o troféu do vencedor! Pesado, em prata, e com a estátua que está no topo da Giralda sevilhana. 
Quem diz que os dois 4 ao Km presentes (Orlando e eu) não são atletas de pódio?
A Pasta Party foi bem servida. Em relação às que conheço, superior a Paris (que também era boa) e Barcelona (uma decepção, a única dessa prova) mas nada chega à excelente massa do Porto! 

Depois duma semana de boas previsões meteorológicas, os últimos dias passaram a dar chuva para a manhã de domingo, em especial para a hora da partida. Como bem sabemos, uma coisa é apanharmos durante, outra começarmos frios sem ainda termos aquecido.

Quando saímos do hotel, faltando hora e meia, chovia bem, chuva que durou até cerca duma hora antes. Depois passou e, mais uma vez, S.Pedro foi amigo dos maratonistas (ou maratonianos como se diz em castelhano). Esteve frio, sem chuva, e apenas notei vento contra numa recta aos 18 km. Portanto, boas condições para uma Maratona.

Como sempre, a minha intenção numa prova desta grandeza, e ao contrário de outras em que se me sinto em condições vou a pensar em determinadas marcas, é chegar ao final, cortar a meta. O que não significa que não dê o meu melhor. Vou a dar o que tenho e o que não tenho mas sempre com os olhos na meta e não em contas. Se vier alguma marca, é um saboroso bónus.

Por volta dos 7 km com a Torre del Oro atrás
Mas o que é certo é que desde os 30 km que senti ter novo record pessoal nas mãos. O primeiro quilómetro foi, como habitualmente, lento, a ir adaptando o organismo a uma corrida que só iria terminar várias horas depois, para no segundo começar a ir para aquele ritmo pretendido, estabilizando aí. 

Os quilómetros foram passando e comecei a preocupar-me em cada um que passava pois o ritmo ia um pouco mais rápido do que o que achava ser prudente. Tentava mas não conseguia abrandar pois sentia-me mesmo bem assim, não indo em esforço que fosse pagar adiante. 
A partir dos 11, e a constatar mais um quilómetro feito mais rápido do que pensava ser margem de segurança, deixei de me preocupar. Sentia-me bem assim, de modo algum estava a abusar, portanto mantive.

Tinha idealizado tomar os géis aos 15 e 30 mas quando passei a tripla légua adiei pois não sentia ser necessário. Apenas o fiz aos 18, única altura até aos 30 e muitos onde senti alguma dificuldade, pelo vento contra nessa recta. Mal cortámos à direita, tudo passou e não mais houve esse vento. 
Curiosamente, foi o único gel que tomei pois a banana que comi aos 25 terá substituído e não senti qualquer necessidade de tomar o segundo. Nestas últimas duas Maratonas (Porto e Sevilha), de longe as que mais e melhor treinei, foram as duas onde ingeri menos géis. E simplesmente porque não precisei.

Com metade feita  sempre a sorrir. Imagem de marca desta prova :)
Passagem à Meia sempre bem e com toda a coragem para a 2ª metade, 25 km perfeitos e aí apercebi-me pelo tempo que o meu record dos 30 km, alcançado na Maratona do Porto há 3 meses atrás, iria cair. Era de 3.08.16 e passei em 3.06.03, menos 2.13 e a sentir-me bem.

Como costumo dizer, a Maratona começa aos 30. Seria a altura de ir buscar as forças que estavam guardadas na reserva. Mas ainda me sentia bem, claro que já um pouco cansado mas ainda bem.
É giro verificar que nas primeiras 6 Maratonas era por volta dos 30/32 que chegava àquele estado de muito cansaço, com excepção da de Paris que foi apenas aos 35. Ora na sétima (Porto) foi só aos 37 e agora em Sevilha aos 38. Ainda hei-de fazer uma onde esse cansaço chegue apenas na meta.

Ora estes últimos quilómetros em Sevilha são, como disse anteriormente, em locais emblemáticos e de forte presença e apoio dum entusiasta público que só falta levar-nos ao colo. Assim, entrei no Parque Maria Luísa ainda razoável, dando a bela volta pela linda e majestosa Praça de Espanha, saindo para, depois da larga avenida, entrar na zona da Catedral e preparar os ouvidos para o fantástico apoio.

Na belíssima Praça de Espanha, 36 Km
E foi aí, pouco depois da Catedral (38 Km), que senti estar a chegar ao final da reserva. Altura de entrar em modo de sobrevivência, apesar de este estado ter sido menor do que em anteriores Maratonas e passou-se rápido.

A aproximação do estádio faz-se sempre em ambiente de grande emoção e com os atletas mais rápidos já a saírem e darem também o seu apoio. 

Estádio em frente! Túnel! Já não me recordava que ainda se descia de forma um pouco íngreme e tenho uma ameaça de cãibra na perna direita. Paro por uns breves segundos, massajo, parece que passou e retomo. 

Entro no estádio! Que sensação!!! Como colocar por palavras a descrição do momento de cortarmos uma meta após 42 km? Se se dedicarem a ver as fotos que a Mafalda tirou ou doutros fotógrafos na meta, salta à vista todo o extravasar de emoções de tanto e tanto atleta num momento que ninguém consegue ficar indiferente. Seja um campeão ou alguém que dobra o tempo do primeiro mas que que é tão vencedor como ele, porque se superou numa prova que não dá espaço para falhas, porque não nasceu atleta, não é profissional, mas consegue esse seu tão pessoal triunfo, por toda a paixão que coloca.

Nesta volta ao estádio, além da emoção própria, o juntar da recordação de há 3 anos, onde rubriquei a corrida da minha vida, pelas enormes condicionantes que tinha, e permitiu ter continuado a cumprir Maratonas. 

Corto a meta, dou um berro de alegria. Sinto que dei tudo e sou recompensado com novo record pessoal. Depois de nas 6 primeiras Maratonas ter registado sempre à volta de 5 horas e pouco, no Porto há 3 meses retirei 15 minutos ao record, colocando-o em 4.47.36, para agora retirar mais 6 minutos (5.56 para ser exacto) e perfazer 4.41.40

Mais significativo foi pouco mais de metade desses 6 minutos terem sido conquistados nos últimos 7 quilómetros, habitualmente o meu sector mais frágil.   

Com a medalha ao peito e a satisfação de ter (re)conquistado Sevilha
Analisando agora os tempos de passagem, verifico que (comparando sempre com o Porto 2016 onde estava a minha anterior melhor marca) nos primeiros 10 km ganhei 1.17 (na Invicta fui um pouco conservador no início), entre os 10 e a Meia ganhei agora 1 segundo (virtualmente decalcada do Porto!), ganhei mais 55 segundos entre a Meia e os 30, 39 segundos entre os 30 e os 35, para entre os 35 e a meta ganhar 3 minutos e 4 segundos (!).

Melhor, no Porto acabei completamente nas últimas e demorei um par de dias a recuperar e agora acabei, logicamente cansado mal seria, mas bem e a recuperar agradavelmente.

Muita coisa fica para dizer pois a escrita ainda não descreve o que o coração guarda para sempre. Uma maravilha duma Maratona, criando mais um dia de felicidade pura!

Como foi a primeira Maratona com os meus "sobrinhos" já nascidos, esta Maratona foi-lhes dedicada. À Filipa e Tomás, e naturalmente aos seus pais Sandra e Nuno por tudo o que fizeram para que eles vingassem. 

Sim, são 8 Maratonas! A nona está marcada para 5 de Novembro no Porto
Grande Orlando que já soma 18 e sempre a dar-lhe!
Quero também agradecer ao Orlando e Nora pela viagem e muito agradável companhia. E, claro, a todos que me apoiam sempre, incondicionalmente. Acreditem que era em todos vós que pensava quando o cansaço queria bater à porta. Cheguei a dizer baixinho nessas alturas "o pessoal acredita em mim". São uma força imparável!




E agora, para quem tem receio de participar numa Maratona pensando que é um sofrimento atroz, há mesmo quem diga que é desumano, vou deixar estas imagens que bem o comprovam: 

Notem o ar de terror do atleta antes da prova, ao estilo dos gladiadores e a sua famosa saudação de "aqueles que vão morrer..."

  
Reparem como aos 9 km salta tão à vista o ar de pânico e tristeza de saber que ainda faltam 33 longos km...


Aos 15 cada vez mais aterrorizado


E o que dizer após 36 longos km e um ar cada vez mais desfeito?


Aos 38, nem a Catedral lhe retira o ar tão sério e triste 


Vejam só a sequência da chegada à meta, o rastejar até à linha, mal se conseguindo mexer






E no final, a sua expressão diz tudo da desumanidade que sofreu e que não mais quer repetir


E pronto, este espaço foi reservado a todos os que receiam a Maratona e seus males! :)

Colocando a ironia de parte, para quem adora correr, uma Maratona é o que aqui em cima se reproduziu. Que se sofre, claro que sim, mas é um sofrimento bom por ser um investimento para sensações que só sentidas se entendem e que jamais nos irão largar!
  

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A uma semana da Maratona de Sevilha ou o regresso a um lugar tão especial!

Um momento especial, meta em frente

Há uma frase feita com a qual não me identifico minimamente, a de que não devemos regressar onde fomos felizes. Pelo contrário, sou da opinião que devemos sempre regressar, saborear o doce da recordação. Bastas vezes o erro é comparar, o que impede o melhor aproveitamento do momento.

Por tal razão, assim que saí de Sevilha em 2014, soube que ia regressar. Que tinha de regressar!
Em 2015 a prioridade foi cumprir o sonho de correr em Paris, "dans la plus belle ville du monde" e em 2016 Barcelona, aproveitando para conhecer a majestosa cidade.

2017 ficou assim com o desejado regresso ao local onde realizei a corrida mais especial das minhas quase 400 efectuadas.

Não gosto de estabelecer competição ou rankings no que me dá prazer. Todas as corridas são especiais. Mas as Maratonas têm um mundo à parte. Tal como alguém já disse, uma Maratona não é uma corrida é uma Maratona! E qualquer uma das 7 que concluí é muito especial. Mas Sevilha em 2014 teve algo de mágico.

A verdade é que não estava de modo algum capaz de realizar a distância, nem aproximada. 5 semanas antes sofri uma infecção pulmonar que muito me debilitou. Logo naquilo que nos dá a resistência.
Bastava subir uma rampa, mesmo que devagar, e ficava ofegante, em virtude da incapacidade dos pulmões processarem o seu habitual ritmo de troca de oxigénio.
De repente, toda a forma tinha-se eclipsado. Os poucos treinos antes, foram fracos e curtos. Apenas 3 semanas antes tentei 24 e o desastre foi total, andando mais do que correndo.

Uma Maratona de boa disposição de início ao fim
E temos que enquadrar o momento. Na altura tinha apenas uma Maratona no currículo, a memorável de estreia em Lisboa 2012. Em 2013, 4 meses antes de Sevilha, alinhei na primeira Rock'n'Roll. Muito bem preparado, sofri um duro imprevisto com a hérnia do hiato a soltar-se e como que a envenenar-me, sendo obrigado a desistir, o que já por si era doloroso e mais foi por ser uma Maratona especial a apadrinhar a Isa.

Reconheço que essa desistência afectou-me bem mais do que devia, sentimento que se prolongou por demasiado tempo, estando ainda muito presente nessa ida a Sevilha, com o espectro de novo DNF, o que, muito provavelmente, encerraria o capítulo Maratona. E o que iria perder...

Se em Lisboa 2012 tornei-me maratonista, em Sevilha 2014 ganhei uma carreira em Maratona. O que se passou então?

A verdade é que não consigo explicar o que sucedeu naquele dia. Nem estou preocupado com a razão, apenas querendo aproveitar as suas inesquecíveis sensações.

Ia ou não feliz?
Com a aproximação da data e a certeza de não recuperar, não consegui dormir mais do que umas 4 horas por noite nas últimas 5. A derradeira então, foi péssima, estando desde as 3 da manhã acordado em pânico e desespero por saber que ia partir para encostar mais à frente. O pequeno-almoço e a ida para a partida, fica na memória de quem viu o estado em que me encontrava.

Até que... chegou a hora de ir ao carro equipar. Senti o ar frio da manhã subir pelas narinas e oferecer-me uma estranha calma. A boa disposição regressou num clique inaudível. Vamos a isso!
Estranha e misteriosa transfiguração que prenunciou o que se iria passar, fazendo-me passar do nadir ao zénite.

Tinha em mente uma táctica suicida que seria a única capaz de me levar à tão ansiada meta. Nada disse para não tentarem dissuadirem-me.

Estava já em pleno modo Maratona. Tudo deitado para trás. Nada de preocupações, apenas o aproveitar o momento. Uma Maratona carpe diem.

Meta!!!
E 42.195 metros depois, tive o momento mais feliz que uma corrida pode oferecer, após aquela que apelidei, e mantenho, como a corrida mais inteligente, divertida e emocional que alguma vez vivenciei.
A foto que encima este artigo é muito especial. Só eu sei o que estava a passar já dentro do estádio e com a meta em frente.

Estive a reler o artigo que escrevi na altura e, 3 anos depois, tocou-me a emoção com que o escrevi. Para quem quiser ler ou reler, clicar aqui.

Como sempre, a ambição para de hoje a uma semana, é o cortar a meta. Se, muito eventualmente, algo mais houver é um bónus, do qual, sinceramente, duvido. 
Se em cada corrida do dia a dia algo pode suceder, em Maratona tudo se amplifica e basta um pequeno nada para deitar por terra tudo o que se preparou. Portanto, a única ambição que levo na mala é ver a entrada do túnel para o estádio, dar a volta de honra e cortar a meta. 
E mal posso esperar!

Como sempre, um agradecimento especial a quem me apoia constantemente, ficando cientes que vos levo a todos comigo.

Até ao próximo artigo... com o relato da que espero seja a minha oitava Maratona! :)

Com a tão ambicionada medalha de sabor olímpico

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O último maiorzinho para Sevilha

É para chegar aqui que luto

Faltando 2 semanas para Sevilha, hoje foi dia do último treino longo, agora apenas de 20 km.

A semana correu bem a nível de treinos. Aquele problema que relatei na semana passada sobre os gémeos, atenuou, apesar de ainda sentir qualquer coisinha nos quilómetros iniciais e depois passar, mas agora sem necessidade de parar para massajar. 

O percurso foi Praia da Torre-Algés e regresso. Tempo agradável para lá, muito vento contra para cá e a intenção era tentar baixar das 2 horas. No entanto, desde o início que sentia-me meio preso e não deu para ir inicialmente a esse ritmo.

Com pouco mais de 2 km encontrei o João Branco, seguindo com ele até perto dos 6, o que foi uma ajuda preciosa porque a coisa não estava a sair como queria e, indo com ele, permitiu-me não baixar muito o ritmo a que seguia. 

Depois de ficar novamente sozinho, cerca dos 7 senti-me a soltar. A tal intenção de fazer o treino abaixo das 2 horas já estava esquecida mas decidi correr atrás do prejuízo para ver até onde daria. Nessa altura a média indicava para 2.08, mais 8 minutos portanto.

Quando fiz o retorno em Algés, 3 km depois, já a média tinha baixado para 2.05 mas ia entrar agora na parte difícil pois tinha pela frente 10 km com vento forte contra. 

Lá fui dando o que podia e aos 17 a média apontava para 2.02, o que já era uma boa recuperação mas acabei por recuperar mais e terminar em 2.00.55, fruto da primeira metade em 1 hora e 2 e a segunda, apesar do vento contra, 4 minutos melhor pois foram 58 minutos.

Cruzei-me com várias caras conhecidas como a Sofia e o José Miranda ambos por duas vezes, o Rui Soeiro que gritou qualquer coisa que me pareceu que também está a preparar Sevilha, e a Henriqueta que só a vi depois de passar e de ouvir o seu olá.

Agora... é continuar a treinar mas já sem carga e de maneira a não estragar nada do que construí.

Para terminar, uma referência a um dado que li no Facebook da Maratona e que me surpreendeu agradavelmente. Apresentam as 3 melhores marcas de sempre nas 32 edições já disputadas em Sevilha, tanto a nível feminino como masculino. E quem são as atletas que detêm as 3 melhores marcas? Pois aqui vai a relação:
1ª 2009 2.26.03 Marisa Barros, Portugal
2ª 2015 2.28.00 Filomena Costa, Portugal
3ª 1996 2.28.59 Mª Luisa Muñoz González, Espanha
Duas tugas nos dois primeiros lugares!

Uma boa semana para todos!

É isto que tenho que cumprir
    

domingo, 29 de janeiro de 2017

Começar a reduzir faltando 3 semanas


Após os 30 da semana passada, e estando a 3 semanas do grande dia, altura de começar a reduzir distância. 

Assim, ontem foi dia de 24 quilómetros e na próxima semana serão 20.

Começo é a preocupar-me com uma situação. Se se recordarem, no treino de 30 os últimos 27 foram fantásticos mas os 3 primeiros sofridos por os gémeos parecerem troncos, tal como tinha sucedido dois dias antes e que na altura associei ao muito frio e o estarem contraídos.
O que é certo é que todos os treinos desta semana tiveram esse início. Gémeos a parecerem troncos, gerando dor e um grande desconforto e depois soltam-se e acabo por correr a boa velocidade se for necessário.

Neste de 24, começaram por volta dos 1.600 e duraram até perto dos 5 km, período o qual fiz cada km em cerca de (imaginem!) 8 minutos (!!!), devido a algumas paragens para massajar e tentar esticar.  

A partir do momento que passou, o ritmo regressou ao normal e fiz 19 quilómetros muito bons. Ou melhor, 17,5 pois o último quilómetro e meio foi a abrandar gradualmente ao estilo de retorno à calma.

É certo que aquela dor passa e depois corro muito bem, mas enquanto dura é penosa e não me permite correr minimamente em condições. Pior do que isso é o receio que venha gerar algo pior. Das 7 Maratonas que concluí, em duas entrei sem saber até onde chegaria pois não estava em condições. Essas duas foram exactamente as duas corridas em Espanha (Sevilha com infecção nos pulmões e Barcelona com contractura no gémeo direito mas ocasionada por um antibiótico filho do demo) e gostava de regressar ao país vizinho em perfeitas condições. Vamos ver a evolução disto.

O percurso foi semelhante ao dos 30 da semana passada mas com o retorno na Cruz Quebrada e não em Algés. Quando passei no novo Passeio Marítimo, tinha ele acabado de ser inaugurado oficialmente pelo Presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas, com a presença de várias individualidades e o som a cargo da Rádio Comercial com a presença de Nuno Markl (do qual sou ouvinte de grandes rubricas como "O homem que mordeu o cão", "Caderneta de cromos" e "Traquitanas").

Uma boa semana a todos.


sábado, 21 de janeiro de 2017

30 fantásticos km em prazer rumo a Sevilha


O Natal foi ontem, a passagem de ano há poucas horas e já estamos no último terço de Janeiro. O tempo é queniano, voa e faltam apenas 4 semanas para o tão ansiado e desejado regresso a Sevilha.

Ora 4 semanas significa o último de 30, o que fiz hoje. E que treino!

Para ser exacto, o título não está correcto mas assim ficou por facilidade. A verdade é que foram 3 km a sofrer e 27 de grande prazer. E os 3 a sofrer foram os primeiros.

Isto porque sentia, tal como no treino de 5ª, os gémeos muito presos, estilo troncos. De certo por estarem contraídos devido ao frio. Mas mal se soltaram, soltou-se uma sensação de grande prazer ao longo de todo o treino, acompanhado por um excelente ritmo.

Assim, após os tais 3 e até pouco depois da metade, imprimi um ritmo muito certo ao melhor estilo de relógio suíço.

Passada a metade, comecei a sentir uma vontade danada de acelerar cada vez mais e sucedeu-me um daqueles dias que acontecem por vezes e que faz em cada quilómetro mais rápido, o seguinte ainda ser mais rápido!

Desde a primeira Maratona, este foi o 15º treino de 30 km e neles sou muito regular pois termino-os nas 3 horas e casa dos vinte minutos. As excepções foram aquele famoso em Agosto que despachei em 3.09.11 e o último, feito há duas semanas em 3.17.26

E era este de 3.17.26 que servia de bitola dada a sua proximidade. Durante a primeira metade dava sinais de poder ir até 3.16, depois 3.15, 3.14, e nos últimos 6 a coisa foi descendo até terminar em 3.10.28, o 2º melhor treino de sempre, apenas a 1.17 do melhor e a 2.12 do record de 30 conquistado em Novembro passado na Maratona do Porto.

Para se perceber o porquê, atentemos no tempo em cada metade (15 km): 1ª em 1.38.13 ; 2ª em 1.32.15
Baixei 6 minutos na 2ª metade!
Mais significativo se analisarmos em cada terço (10 km): 1º em 1.05.54 ; 2º em 1.04.43 ; 3º em 59.51

Daqui se vê que fui crescendo em especial nos últimos 10 km. Em 30 km que corri, 6 foram na casa dos 5 minutos. E esses 6 foram os últimos 6 quilómetros. E o km mais rápido em 5.38 e qual foi? O último!
Percebem porque disse que cada um era mais rápido do que o anterior?

Em conclusão, um excelente treino físico e uma enorme dose de confiança para tentar conquistar Sevilha pela 2ª vez.

Para a história, aqui fica o percurso: Partida no Inatel de Oeiras pelo Passeio Marítimo até final da praia de Carcavelos e com desvios pelo pontão da Marina e junto ao forte. Regresso igual e ida até Algés para retornar pouco depois do viaduto e regressar ao local de partida.

Pelo meio, o prazer de constatar que o novel Passeio Marítimo desde a Baía dos Golfinhos (Caxias) até à estação da Cruz Quebrada, e que tinha sido utilizado com sucesso no Nacional de Estrada faz hoje uma semana, já se encontra aberto ao público em geral.
Uma enorme mais valia para o concelho de Oeiras, ficando mais próximo o sonho de unir os Passeios Marítimos desde a Praia da Torre a Algés, ou, por outras palavras, toda a costa oeirense, nesta que é uma obra que devolveu o Tejo aos munícipes para caminharem, apreciarem, fotografarem, andarem de bicicleta ou... correr! E posso dizer que comecei a ser corredor ali.
Um grande privilégio poder treinar num local tão belo e apropriado!

Uma boa continuação de óptimo fim-de-semana a todos e apreciem aqui em baixo a que quero conquistar dia 19! 😊



domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma espectacular tarde no Nacional de Estrada


Imagine-se no que dará uma receita com estes 3 ingredientes: 
- Uma tarde primaveril 
- Um ambiente digno dos maiores eventos
- Um fabuloso percurso
Exacto! Só pode dar algo de espectacular e que fica na melhor memória.

Se depois do sol se pôr ficou frio, durante a prova, com a partida às 15 horas, a sensação era duma tarde de primavera, amplificada pelo percurso junto ao mar com um calmo Tejo como que a estender uma passadeira ao nosso esforço.

O percurso que foi delineado para este 24º Campeonato Nacional de Estrada, que englobou para a vertente popular a corrida Sport Zone a Correr com os Campeões, deveria ser aproveitado para eventos futuros pois trata-se dum percurso com tanto de belo como de exigente e selectivo.

Partida na pista do Estádio Nacional (que pena o estado de degradação que aquele tartan, ou o que resta dele, apresenta!), descida para a Marginal, subida para o Alto da Boa Viagem, descida para Caxias, retorno na Curva dos Pinheiros para na Baía dos Golfinhos dar-se um momento especial, a passagem pelo novel Passeio Marítimo, ainda não inaugurado mas deverá estar para breve pois aparentemente está praticamente concluído e vem reforçar mais o que de bom Oeiras tem feito com a criação de Passeios Marítimos que têm levado a população ao encontro do mar, na prática de exercício físico. No final do Passeio, passagem pelo túnel da estação de Cruz Quebrada e regresso à Marginal agora no sentido para Algés, onde se deu o retorno a dois terços da recta e regresso ao Estádio Nacional com a dura subida final.
Um grande e belo percurso!

Se no ano transacto, na Cidade Universitária, a organização surpreendeu pela negativa, desta feita tudo decorreu da melhor forma, proporcionado uma tarde a recordar.

A equipa presente: João Cravo, Aurélio e eu, reforçados na foto com a Cláudia e Conceição
Foi a minha 4ª presença em provas englobadas mo Nacional de Estrada, após as de 2012, 2013 e 2016.

Tinha decidido que decisões só à hora da partida, consoante as sensações que o aquecimento me desse. Estou em pleno período de preparação para a Maratona de Sevilha e era uma incógnita o que me reservaria a corrida apenas 6 dias após um puxado treino de 30 quilómetros.

Como as sensações foram boas, decidi começar ao ataque e logo analisaria. E deu para fazer uma prova toda ao ataque, onde mantive sempre um ritmo forte e certo, apenas um pouco quebrado na subida final mas, segundo o que ouvi, isso aconteceu também com os campeões, não há-de ter-me sucedido o mesmo.


O GPS foi dando sempre uma média para o minuto 50 alto e foi a pensar nesse minuto 50 que fui dando o que tinha para dar naquele momento. Sabia era que o 50 alto não dava margem para a natural quebra na subida final mas fui lutando, tal como lutei nessa subida que costumo fazer em treinos mas desta vez teve o peso de 9 km nas pernas feitos no limite. 

Ufa que acabou a subida!
Quando endireitou e entrei no Estádio, dei o máximo dos máximos e consegui acabar in extremis pois foram 50.59, o que em 161 corridas de 10 km, é o meu 9º melhor tempo de sempre, num percurso duro e apenas 6 dias depois dum puxado treino de 30, o que é um bom indicador.

No Nacional de Estrada e começando pelo sector feminino, a campeã foi Jéssica Augusto que dominou como quis a prova, marcando 33.14 e um avanço de 1.02 sobre Catarina Ribeiro, com a surpreendente Marta Pen Freitas em 3º. Colectivamente, triunfou o Sporting com Jéssica Augusto, Susana Godinho, Ana Mafalda Ferreira e Daniela Cunha, com o Águeda na 2ª posição e na 3ª uma surpreendente formação das Grecas

A campeã Jéssica Augusto
Foi o 3º título de Jéssica, após os de 2007 e 2008, num relação que conta com Dulce Félix com 5 títulos, Inês Monteiro 4, Jéssica Augusto e Sara Moreira 3, Fernanda Ribeiro e Conceição Ferreira 2 e com 1 título Albertina Dias, Ana Paula Oliveira, Helena Sampaio, Manuela Machado e Marina Bastos.
Colectivamente foi o 1º título do Sporting numa lista liderada pelo Maratona com 13 títulos, Braga 5, Benfica 4, Pasteleira e Sporting 1

As campeãs sportinguistas
No sector masculino, Hélio Gomes triunfou com uma marca abaixo da meia-hora, 29.58, com o pódio a ser completo por Alberto Paula e Samuel Barata. Colectivamente triunfou o Benfica com Alberto Paula, Samuel Barata, Hermano Ferreira e João Silva, tendo o Sporting terminado em 2º e o Maia em 3º.

O campeão Hélio Gomes
Foi o 1º título de Hélio Gomes numa relação dominada por Eduardo Henriques 5 vezes campeão, seguido por Luís Jesus e Rui Pedro Silva 3, Manuel Damião 2 e com 1 título temos Alberto Maravilha, António Pinto, Dionísio Castro, Fernando Couto, Hélio Gomes, Hermano Ferreira, Leão Carvalho, Licínio Pimentel, Manuel Magalhães, Paulo Catarino e Rio Silva. 

Os campeões benfiquistas 
Colectivamente, foi o 6º título do Benfica numa relação liderada pela Conforlimpa com 11, Benfica 6, Maratona 4, Terbel 2 e Sporting 1

A relação completa dos campeões:
Femininos:
Absoluta - Jéssica Augusto
Juniores - Sara Duarte
S23 - Rute Simões
V35 - Sofia Monteiro
V40 - Mónica Vieira
V45 - Carla Machado
V50 - Isabel Maldonado
V55 - Helena Mourão
V60 - Fernanda Nunes
V75 - Joaquina Flores


Masculinos:
Absoluto - Hélio Gomes
Juniores- Alexandre Figueiredo
S23 - André Pereira
V35 - Nélson Cruz
V40 - Paulo Gomes
V45 - Jorge Pinto
V50 - Eugénio Neto
V55 - José Manuel Borges
V60 - Silvestre Gomes
V65 - Fernando Chamusca
V70 - Albino Oliveira
V75 - Manuel Maia
V80 - Bernardino Pereira





terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Corrida da APAV - Correr por tempos melhores

O ISCPSI (Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna) em parceria com a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) vai realizar a 26 de Março a 14ª edição da sua Corrida de Solidariedade e Marcha das Famílias - ISCPSI / APAV.

O âmbito desta prova é:

a) Angariar fundos, que reverterão, na sua totalidade, para a APAV, sedeada em Lisboa, que promove e contribui para a informação, protecção e apoio dos cidadãos vítimas de infracções penais;

b) Promover a divulgação do ISCPSI e da Polícia de Segurança Pública (PSP), enquanto elementos activos da sociedade que visam, em cada momento, garantir a ordem e tranquilidade públicas e o bem-estar dos cidadãos;

c) Incentivar e promover o desenvolvimento da prática desportiva em geral e, em especial, do atletismo;

d) Interagir com a população;

e) Contribuir para uma sociedade que se deseja, cada vez mais, justa.

Assim, disputar-se-á em simultâneo uma corrida de 10 quilómetros devidamente aferida e uma caminhada de aproximadamente 3,5 km.

O percurso da corrida é ideal para boas marcas mas o que conta na realidade é outro conceito de tempo, tempos melhores. E como podemos ajudar a melhorar o futuro? Participar neste evento, correndo ou caminhando, apoiando a APAV para lutar contra o flagelo da violência doméstica e do crime, para que não seja necessário chegar uma queixa a cada 23 minutos, tal como referem os cartazes que estão muito bem elaborados.

Aqui fica a sugestão para uma excelente manhã de actividade física e ajuda a instituições que bem merecem todo o nosso carinho e atenção.