sábado, 19 de agosto de 2017

Um mini-longo bem acompanhado

Se um treino acaba com esta boa disposição, só significa que foi bom!

Depois de 2 fins-de-semana com 30 km e com mais um na próxima semana, esta era a altura para um treino mais curto, 20 km, sendo que tinha o aliciante de ter companhia, o Ricardo Afonso, atleta com muito bom historial e que se prepara para a sua estreia nos 42,195 da Rock'n'Roll Cascais-Lisboa.

Os fantásticos 30 de domingo passado já estavam bem recuperados e foi curioso que, com excepção duma coisa, na 2ª feira nem sentia o habitual cansaço. Tudo estava perfeito se esquecermos os gémeos. Estes é que pareciam pedras. Mas sei a razão. Depois do treino foi só tempo para duche e sentar em frente à televisão entre as 10 e as 14 para ver a Inês Henriques sagrar-se campeã mundial dos 50 Km marcha com novo record mundial e de seguida ver a Ana Cabecinha nos 20 km. Ora depois dum esforço daqueles, convém andar para a circulação começar a eliminar o ácido láctico. Parado 4 horas deu nisso. 3ª o treino teve que ser devagarinho mas 4ª já tudo estava normalizado.

Hoje, além do treino, era também a possibilidade do Ricardo ficar a conhecer o Passeio Marítimo de Oeiras e paredão de Carcavelos, com respectivas voltas pela marina, pontão e ao lado do forte. E foi por andámos. O tiro de partida (que não houve...) foi uns minutos antes das 6.30 e demorámos 1.58.36 a percorrer as duas dezenas de quilómetros, sempre num ritmo agradável, confortável e com boa temperatura pois terminámos antes de começar a aquecer. Assim, o treino passou-se num instante com a converseta. 

Agradeço ao Ricardo a excelente companhia e desejo muita força para o 15 de Outubro!

Uma boa semana para todos! 

domingo, 13 de agosto de 2017

Um fantástico de 30! (2ª vez sub3)

Antes de relatar o meu treino de 30, quero deixar uma palavra de apreço aos nossos 20 atletas que estiveram presentes no Mundial, onde deram o seu melhor.
Referência muito especial a 3 atletas:
À primeira campeã mundial feminina de 50 Km Marcha, Inês Henriques que, além da vitória, bateu o record mundial que já era seu e por 2.29! (faltando apenas a sessão da noite, é até ao momento o único record mundial destes campeonatos)
O corolário e justa recompensa de quem tanto se tem esforçado nos 25 anos que já leva a sua brilhante carreira.
Ao Nelson Évora que numa especialidade tão massacrante como é o Triplo Salto, onde a idade não perdoa, conseguiu aos 33 anos desmistificar esse factor com a sua medalha de bronze.
À Ana Cabecinha que terminou em lugar de finalista, 6ª, nos 20 Km Marcha, o que permitiu que Portugal tenha alcançado 17 pontos na tabela dos 8 primeiros.

Passando então ao treino, como se devem recordar, o último foi um descalabro a partir dos 22 Km. Nesse dia sentia-me bem da parte cardio-respiratória mas ainda a sentir os efeitos nocivos que aquele relaxante muscular deixou (e que tomei apenas durante 3 dias) por causa das costelas deslocadas por uma queda.

Esse treino tinha sido na 6ª 3 e no domingo regressei ao Passeio Marítimo para um treino de recuperação, e onde tive o grato prazer de encontrar o João Branco com quem corri a parte final. Acabei esse treino e senti-me bem. No dia a seguir fiz outro, este já normal, e a sentir-me impecável. Finalmente o efeito tinha passado!

Treinei ao longo de toda a semana e, curiosamente, fiz algo que nunca tinha sucedido até ao momento. Já por inúmeras vezes treinei 5 dias seguidos (muitas mesmo) mas nunca 6. Ora de domingo a sexta cumpri 6 treinos. Descansei ontem e hoje tinha a "vingança" marcada.

Apesar de ser do norte do Ribatejo, já afastado das Lezírias, uma verdade que os ribatejanos difundem, e que é do bom senso geral, é que nunca nos devemos meter com um touro enraivecido.
Esse foi mais ao menos o espírito com que encarei este treino, o de touro enraivecido. Quem me conhece sabe que quando uma corrida ou treino corre inesperadamente mal, a vez a seguir que se cuide...

Ora ao longo de toda a semana preparei a dita vingança daquele treino e sempre confiante do que ia fazer. Aliás, ao contrário do que disse na semana passada, deixei o carro no mesmo sítio pois tinha a confiança que desta vez não ia ser semelhante.

O dia prometia (e cumpriu) ser quente, portanto toca de acordar às 4.30 para tentar iniciar o treino às 5.30. Confesso que me custou quando ouvi o alarme das horas disparar. Mas isso foi apenas uns segundos pois logo mentalizei que tinha um óptimo treino para desfrutar.

A preparação demorou-me mais do que o previsto e só comecei às 5.46, altura ainda de noite e com temperatura boa para correr.
Bom, na realidade comecei 2 minutos antes mas foi, digamos, uma espécie de falsa partida. Arranquei e senti um pequeno grão de areia no pé esquerdo. Parei, descalcei-me, virei o sapato, calcei, arranquei e... ainda lá estava. Percebi então que estava dentro da meia. Tirei e concluí que iria colocar o relógio a zero e recomeçar pois marcava 2 minutos para 45 metros...

Fui sempre num ritmo agradável e com a média a apontar para 3.05.30 (o que seria a minha 3ª melhor marca e seria record há 2 meses atrás, antes de ter feito 3.03.39 em Junho e 2.54.28 em Julho.

Assim fui, no percurso habitual (Oeiras-Carcavelos-Algés-Oeiras) até aos 14, altura que a média estava em 6.11 (previsão 3.05.30) e comecei a ficar seduzido pela ideia de ir tentar baixar das 3 horas, o que parecia uma ideia sem sentido pois este treino era para fazer de forma agradável e certa, depois da desgraça do anterior e iria ter que recuperar mais de 5 minutos na 2ª metade, baixando o ritmo por quilómetro em mais de 20 segundos e logo na altura que o calor ia aparecer.

Fui resistindo à ideia entre os 14 e os 16 (ficando com ainda menos 2 quilómetros para recuperar o atraso que levava para as sub3). Aí decidi "sinto-me bem, vou tentar!"

Apenas por uma vez baixei das 3 horas e num treino onde fui desde o início a lutar por ele. Agora queria lá chegar com apenas 14 Km para o recuperar.

Disparei e o que é certo é que passados 7 quilómetros já a média apontava para 2.59.30! Foram 7 fantásticos quilómetros. Faltando outros 7, decidi não continuar com a faca nos dentes, pois já não havia necessidade mas fazer por manter a média para essa marca, não me desgastando demais para os próximos treinos.

Terminei assim em 2.59.23
E se na semana passada disse aqui que em 20 treinos apenas tinha um com marca pior do que aquele, hoje digo que em 21 apenas um treino tem uma marca melhor do que o de hoje (aqueles "alienigenas" 2.54.28)

Para entenderem melhoras as fases pelas quais o treino passou, vejam estes dados:
1ª metade em 1.33.02, 2ª em 1.26.21
Km a Km até ao 16: 6.22 / 6.19 / 6.20 / 6.19 / 6.14 / 6.10 / 6.14 / 6.07 / 6.14 / 6.08 / 6.04 / 6.07 / 6.02 / 6.15 / 6.07 e 6.00
Depois, aqueles 7 a puxar: 5.43 / 5.44 / 5.33 / 5.30 / 5.27 / 5.39 / 5.35
E os 7 finais a manter: 5.42 / 5.44 / 5.55 / 5.56 / 5.59 / 5.57 / 5.57

Nos treinos, passo por muitos atletas conhecidos, alguns pessoalmente outros de vista. Conheço centenas de atletas, o que torna impossível decorar todos os nomes.
Ora passei por um grupo de 5 (3 femininas e 2 masculinos) que já tinha cruzado com eles no dia do outro treino sub3 horas (tenho que me cruzar mais vezes com eles!) que foram muito simpáticos gritando "Força João" e "És o nosso orgulho!". 
Como facilmente se calcula, ouvir uma frase dessas dá uma extraordinária força extra e adivinhem em que quilómetro foi? 21. Qual foi o meu quilómetro mais rápido? 21 :)
Um grande obrigado a eles, caso estejam a ler estas linhas, pela simpatia.

Pronto, tudo está bem quando acaba bem e o "costela-gate" faz parte do passado. 
Faltam 84 dias para a Maratona do Porto. Há que continuar a fazer o trabalho bem feito para uma Maratona que me saia o melhor possível com as melhores sensações.

Em matéria de longos, tenho no sábado um mini-longo de 20 Km para recuperação, desta vez com companhia, a do Ricardo Afonso que vai estrear-se na mítica distância em Outubro na Rock'n'Roll Cascais-Lisboa, e daqui a 2 semanas mais um de 30. Durante a semana, correr, correr!

Uma boa semana a todos!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um mau de 30

Após o que me sucedeu e relatei no artigo anterior (costelas deslocadas numa queda) o regresso aos treinos deu-se de forma mediana. Por um lado a parte cardio-respiratória impecável (provando que a osteopata Paula colocou tudo de forma perfeita em seu sítio, como habitualmente) mas as pernas muscularmente afectadas por aquele relaxante muscular que tomei entre o hospital e ir à osteopata (eu e os medicamentos temos uma relação muito difícil...).

Deu para cumprir o que estava planeado e hoje foi a altura de regressar a um treino de 30. Claro que nem pensar em treino ao estilo do último onde bati o meu record por 9 minutos, baixando pela primeira vez das 3 horas (2.54.28) mas fazer um ponderado, ritmo calmo e certinho.

Caso este corresse bem, o próximo (dia 13) já seria para puxar.

Uma distância de 30 mete sempre respeito e receio. Se em distâncias menores podem existir pequenos imprevistos que se conseguem gerir, já neste tipo de distância um pequeno torna-se enorme. 
Ora desta vez o receio era amplificado e afectou-me a confiança. E se o meu ponto forte é a parte mental, quando esta falha a coisa complica-se.

Foi nesse estado de dúvida que iniciei o treino às 6.07.

Mas a coisa até foi decorrendo bem. Os quilómetros foram passando e o ritmo estava certinho, calmo e tudo estava a correr bem. Afinal parecia que este treino de 30 não ia ser um verdadeiro 31.

As boas notícias acabaram aos 20 quando começou a complicar. Aos 22 foi o descalabro total e completo. Imaginem que cheguei a ter que alternar corrida e andar várias vezes!
Só continuei naquela desgraça por o carro estar aos 30 km, caso contrário teria encurtado o treino.

Acabei desiludido e se o tempo não era importante, o que contava eram as sensações. Ora as sensações foram as más já referi e o tempo foi de (sentem-se!) 3.38.09 o que no meu histórico de 20 treinos de 30 apenas por uma vez fiz pior.

A extraordinária forma nunca é um dado adquirido, basta um pequeno nada e volatiliza-se, tal como eu ia sempre avisando.

Agora há que trabalhar com cabeça para a recuperar. E vou recuperar!
Até ao dia 13 os normais treinos diários e nesse dia a intenção já não é puxar mas sim fazer um de 30 em condições, como seria hoje. Se o conseguir, o seguinte já será noutro andamento. 
Deverei é mudar o trajecto para se suceder o que aconteceu hoje, não ficar longe do carro e não prolongar aquela "desgraça".

Um bom fim-de-semana a todos e boas férias para quem as está a gozar!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

De novo a correr após uma paragem forçada duma semana

Provavelmente terão estranhado não ter feito qualquer publicação no passado fim-de-semana. Tal deveu-se a nada haver para dizer pois estive parado.

Depois daquele extraordinário treino de domingo, 3ª fiz o treino de recuperação e 4ª treino normal.

Nessa 4ª deitei-me normalmente à noite e às 3 da manhã acordei com muitas dores no peito e costas, a doer se respirava mais profundo, e a sentir o coração na garganta. 
Não tinha posição e estava apreensivo com as sensações, tendo às 5 ido ao hospital. 
Após um electrocardiograma e raio-x aos pulmões, que mostraram estar tudo perfeito, fui diagnosticado com um descontrolo de ansiedade. Algo que me custou a acreditar pois não havia razões para tal. E vim com a indicação de regressar passadas 48 horas caso mantivesse igual.

Ora a coisa não passou e regressei às urgências, sendo visto de outra forma e a conclusão é que não seria nada de ansiedade (como tinha praticamente a certeza) mas algo muscular. 
Concluindo e resumindo, recordam-se de ter referido, no final do artigo anterior, uma queda que apelidei como "fait-divers" já que não tinha feito qualquer estrago? Pois a razão de doer o peito e costas, respirar com dificuldade e sentir o coração na garganta foi por sua causa. Estava "só" com duas costelas deslocadas, forte contractura numa omoplata e um tendão do cotovelo fora de sítio. Tudo no lado direito, lado para o qual caí enrolado!

Porquê só se manifestar uma semana depois da queda? A teoria é que ficou ali na corda bamba e nessa noite algum jeito fez a coisa sair definitivamente do sítio e provocar esses estragos.

Felizmente que tenho uma osteopata com mãos de fada (Paula Almeida) que na 3ª colocou-me tudo no sítio e foi uma sensação muito agradável, após 5 dias de dificuldades, poder encher os pulmões de ar, expirar e nada doer.

Após mais 2 dias para a coisa consolidar, já regressei aos treinos, 10 quilómetros muito lentos para confirmar que tudo estava bem. E sim, tudo perfeito. 
Neste fim-de-semana estavam planeados mais 30 mas irei cumpri-los em duas etapas. 15 no domingo e 15 na 2ª, para a coisa tornar a ir ao sítio. No fim-de-semana seguinte, e caso tudo se mantenha bem, regressarei então aos 30, após os normais treinos semanais.

O que está a custar mais a recuperar é a reacção aos relaxantes musculares que tomei naqueles dias e que me deixaram meio abalado e prostrado. Mas está a passar.

Um bom fim-de-semana a todos e espero publicar a 5 ou 6 de Agosto mais um treino de 30.

domingo, 16 de julho de 2017

Mais um sonho alcançado! 30 abaixo de 3 (e por mais de 5 minutos e melhor marca dizimada por mais de 9!)

No final do treino. Adivinhem se estou feliz...

Decorria o ano de 1976, era um adolescente com 16 primaveras, quando começou a febre do "Amor é...". 
Era uma colecção de cromos em que figuravam sempre as mesmas figuras, uma rapariga e um rapaz, e em cada um com uma frase diferente.
As jovens, e não só, coleccionavam com afinco e os rapazes aproveitavam para aprender umas dicas ou frases a utilizar.

Um exemplo dessa colecção
Seguiu-se uma onda a aproveitar o impacto desta colecção inicial, com temas ao estilo "amor a (qualquer coisa) é" onde se utilizavam todas e quaisquer variáveis.

Recuando uns 40 anos, indo apanhar essa onda que se esbateu, poderia criar algumas frases subordinadas ao tema "Amor à Maratona é...".
E para começar poderia criar o "Amor à Maratona é...levantar às 4.30 para ir correr 30 km".

Pois foi exactamente isso que fiz hoje. Queria um treino de 30 bem aproveitado e para tal teria que fugir ao calor. Considerando que demoraria cerca de 3 horas e queria acabar o mais tardar às 8.30, implicaria começar às 5.30 e levantar às 4.30

E este treino (já lá vamos à forma fantástica como decorreu) marcou oficialmente o início da minha preparação para a 14ª Maratona do Porto a realizar a 5 de Novembro.

Digo oficialmente mas desde Maio que ando a afinar os motores para carburarem o melhor possível nesse dia.

É a décima vez que estou numa preparação de Maratona para, espero, cortar pela nona vez a meta na mítica distância.

Para alguns, pode ser apenas uma corrida. Para muitos, uma Maratona é mais do que uma corrida. É algo de irracionalmente atractivo e que nos inebria as emoções.
Para alguns, pode ser um sacrifício os 3 a 4 meses de preparação específica. Para muitos, é algo de muito especial a que nos dedicamos de alma e coração. Tudo aquilo que se faz por paixão, nunca é um sacrifício, é um passo mais para uma recompensa que, neste caso, vem em forma de meta.

E é isso, para atletas como eu e tantos outros, que conta numa Maratona. A meta!
Essa é a razão porque nunca quero ouvir falar em marcas, records ou similares nesta distância. Se nas outras, ocasiões há que corro deliberadamente para melhores tempos, nesta toda a preparação e empenho foca-se em fazê-la o melhor possível. 

Naturalmente que o melhor possível poderá provocar patamares de tempos nunca anteriormente registados, como nas duas anteriores, mas isso é, ou poderá ser, uma mera consequência e não um fim.

Falando então do treino de hoje! Tinha estabelecido um plano de aumento de ritmo para facilitar na Maratona. A ideia é, quanto mais rápido correr nos longos, no dia D (ou devo dizer M), adoptando um ritmo mais convencional, aguentarei bastante melhor.

Até agora tenho "morrido" em todas as maratonas, o que me obriga a partir desse momento a utilizar uma táctica de sobrevivência. A última, Sevilha, foi onde "morri" mais tarde, aos 38. Mas o grande objectivo é fazer uma onde só "morra" aos 42.196... Daí esta táctica.

O que tinha nesse referido plano? Ora até Agosto do ano passado, o meu record aos 30 era de 3.14.47 (curiosamente vindo da primeira Maratona!). Em Agosto, num treino, baixei significativamente para 3.09.11. No Porto, em Novembro, 3.08.16 e em Fevereiro em Sevilha, 3.06.03

O plano era em Maio realizar um longo a média de 6.15, o que dava 3.07.30. Curiosamente foi o exacto tempo, ao segundo, que registei! Em Junho a média seria de 6.10 (3.05.00), Julho 6.05 (3.02.30) e Agosto 5.59 (2.59.30).
De assinalar que este em Agosto era a um tempo que se há um ano atrás alguém me dissesse que poderia chegar lá, convictamente diria ser impossível. Agora considerava-o possível, apesar de achar este plano muito ambicioso. Afinal...

Em Junho, em vez dos 3.05.00, marquei 3.03.39, novo record aos 30.

Ora isto fez com que metesse na cabeça que iria antecipar o ataque às sub 3 horas para hoje. 

Preparei-me bem, mentalizei-me melhor e utilizei a melhor das tácticas. Acreditei!

O que nunca acreditei foi o resultado final que alcancei. Baixei das 3 horas por mais de 5 minutos (5.32) e bati o record por mais de 9 (9.11)!
Pois é... o relógio ao chegar aos 30 km mostrava o tempo de 2.54.28!!!! (média de 5.48,9)

Levantei-me, como referi, às 4.30, iniciei o treino às 5.33 (nunca tinha iniciado um tão cedo) aproveitando o facto do sol ainda não ter nascido. E depois de o ter feito, primeiro escondeu-se atrás dos prédios e só por volta dos 21 começou a bater directo e a aquecer aos 26. Tudo perfeito nesse sentido.

O trajecto foi o meu habitual Oeiras-Carcavelos-Algés-Oeiras, sempre sozinho e com apenas uma garrafa de meio litro de água.

Desde o início que me coloquei em média abaixo de 3 e fui progressivamente baixando. Os primeiros 15 em 1.27.42 e os segundos em 1.26.46.
Analisando de 10 em 10, também se nota a progressão: 58.33, 58.13 e 57.42

Mas atenção a não comparar com os 3.06.03 que marquei em Sevilha. Hoje foi um treino onde dei tudo para 30 km. Em Maratona, os 30 são uma mera passagem para se chegar aos 42, tendo que gerir o esforço.

E pronto, é isto. O que posso acrescentar mais? Que me sinto muito, muito feliz e orgulhoso em constatar que todo o trabalho e esforço estão a ser bem recompensados.

E por falar em recompensas, depois duma coisa destas, convém mimar-nos. Ora já comi uma bela duma mousse de chocolate caseira que a Mafalda fez (obviamente sem lactose...) e ao almoço vou ter as Tripas à Moda do Porto.
Depois de ter gasto 2.630 calorias, mereço! 

Para acabar, apenas um "fait-divers". No treino de 2ª feira... esbardalhei-me! 
Num sítio onde já passei n vezes, perto do Tagus Park, há um passeio que tem um alto por uma raíz e nesse alto faz uma covinha. Não sei onde tinha a cabeça, meti o pé nessa covinha e quando dei por mim estava estatelado. Felizmente caí redondo para o lado direito e apenas tive umas pequenas esfoladelas e um osso na anca que ficou a doer um par de dias sempre que tocava nele. Mas não afectava a correr, portanto tudo bem.
E isto é notícia apenas pela raridade. É que em 12 anos de corridas, foi apenas a minha 3ª queda, portanto não me posso queixar! (do mesmo já não digo em relação a coisas piores como um pé partido...)

Desejo a todos uma excelente semana e façam o favor de serem felizes :)

domingo, 9 de julho de 2017

A minha 11ª e melhor Corrida da Lagoa de Santo André. Mas...

A equipa presente, eu, Isa e Vitor

Realizou-se ontem a 22ª Corrida da Lagoa de Santo André, autêntica festa no litoral alentejano, evento que funciona para muitos como a festa de encerramento antes das férias.

Por escassos 6 euros, os atletas têm direito a uma bela prova de 10 quilómetros (até 2007 eram 9), a uma bonita medalha pintada à mão em barro, todos os anos com uma ave diferente da fauna da Lagoa, e a um convívio final, para si e acompanhantes, com febras, maçãs, batatas e bebidas. 

É sempre um prazer renovado ter o privilégio de fazer parte do pelotão desta prova, o que no meu caso sucedeu pela 11ª vez, apenas falhei 2009.

Atente-se na bela colecção das referidas medalinhas, realizadas pela Artibarro (por ordem desde 2006 e saltando de 2008 para 2010. A deste ano é portanto a última, a Poupa).

Linda colecção!
Esta prova marcou a estreia de novos fixadores de dorsal. Já aqui tinha referido a utilidade dos Go Grip Dorsal, e os de agora vêm personalizados com o logo da equipa, como podem apreciar nas fotos seguintes.


Úteis e bonitos!
Em relação à minha prova, o sentimento é agridoce. Em 11 participações foi claramente a melhor marca. A anterior vinha de 2008 com 51.32, na única vez que tinha baixado dos 54 minutos neste percurso, ontem registei 51.02.

Mas... queria e poderia ter feito melhor, não fosse um handicap chamado terra.

O (ambicioso) objectivo era chegar ao meu 4º sub50, o que seria espectacular pois, após 10 anos de luta para conseguir um, seria o 4º em apenas 7 meses. 
Para tal, tinha 3 receios, dois eventuais e um real. Os eventuais eram a possibilidade de muito calor, o que felizmente não se registou em excesso apesar de algum, e vento, o que sucedeu, vento contra, após o retorno mas isso custou apenas escassos segundos.
O receio real tinha a ver com os 1.550 metros em terra, como de seguida explicarei na descrição do percurso.

O trajecto inicia-se perto da entrada para a praia e segue em direcção ao cruzamento (4,4 km). O primeiro quilómetro a subir e os últimos 500 metros a descer (ao contrário após o retorno, o que faz com que o último seja a descer).
No regresso após o cruzamento, entramos no pinhal para 1.550 metros em terra, pouco após os 6 quilómetros.

Iniciei a corrida forte, imprimindo um ritmo que proporcionasse o almejado sub50. Fui sempre certinho e a bater marginalmente nesse tempo. Aguentei-me bem na subida inicial e depois nos 500 metros a subir após o retorno. 
Foi aí que cruzei-me com a Isa e, ao vê-la sozinha, perguntei pelo Vitor tendo sabido que tinha sido forçado a parar com uma dor que espero que passe o mais rápido possível e que logo, logo, esteja de regresso. Força Vitor!!!

Após esta contrariedade, continuei em bom ritmo, sempre no limite, passando aos 6 mantendo a tal margenzinha que permitiria o sub50.

Mas... entrei na terra e deu-se o inevitável. Não consigo correr em terra à mesma velocidade que em estrada e se vinha a fazer quilómetros na casa dos 4.50 e no limite, na terra baixei para a casa dos 5.20, perdendo 44 segundos nestes 1.550 metros, valor impossível de recuperar nos últimos 2 quilómetros.

Regressei ao alcatrão, aumentei a velocidade mas já sem chegar ao que vinha a realizar antes da terra. Consciente que já não chegaria ao sub50, faltou-me estamina para continuar no limite. 

Perto da meta vi que seria talvez possível baixar do minuto 51, sprintei mas falhei por pouco, 51.02 de tempo real.

Foi muito bom, foi o melhor ali, foi dos meus melhores tempos no geral. Mas... 

A próxima prova é apenas daqui a 2 meses e meio, a clássica Corrida do Tejo. Mas não se pense que vou ficar parado. É exactamente o contrário. Vou entrar numa fase de muita carga para a Maratona do Porto. Desejem-me boa sorte pois bem vou precisar! :)

Uma excelente semana a todos e boas férias para quem vá de merecido descanso.



domingo, 2 de julho de 2017

Na (muito dura e boa) Meia de Almada

A armada 4 ao Km presente (Vitor, Isa, Aurélio e este vosso escriba)

Tendo sido disputadas duas edições de sucesso em 2013 e 2014, que fidelizaram quem nelas participou, a Meia-Maratona de Almada deixou de se disputar nos dois anos seguintes mas em muito boa hora regressou ontem.

E por falar ontem, não quero deixar de referir o histórico dia. Dos muitos motivos de orgulho do nosso país, um dos maiores festejou ontem 150 anos. Foi a 1 de Julho de 1867 que Portugal deu um exemplo ao mundo tornando-se no primeiro país a abolir a pena de morte. De lamentar que apenas em 2016 o número de países que já aboliram essa bárbara prática ultrapassou marginalmente os países que ainda a mantêm (104-103).

E por falar em datas, de destacar que faz hoje 33 anos que Fernando Mamede bateu o record do mundo dos 10 mil metros. record que aliás foi batido na mesma prova por dois atletas, Fernando Mamede e Carlos Lopes num final extraordinariamente empolgante.

Regressando à Meia de Almada, de que sou totalista, em 3 edições registaram-se 3 percursos diferentes e 3 partidas diferentes. A primeira deu-se na Lisnave, a segunda no Fórum Almada e a de ontem no Parque da Paz.

Qual a diferença deste percurso para os outros 2? Duro, duro, duro! Mas muito empolgante e selectivo.

No momento que estou, cheguei a sonhar num tempo que batesse o anterior record e cheguei mesmo a sonhar com um determinado tempo que julgo ter condições de lá chegar.
Relembro que o record da Meia foi de 1.56.35 entre 2007 e 2016, para finalmente o bater nos Descobrimentos e por larga margem, 1.52.38

A seguir às Fogueiras tive uma semana difícil onde a recuperação durou bem mais do que o habitual, mas ontem já me sentia capaz e a táctica era de começar o dar o máximo e depois logo se via se dava para manter ou, não me sentindo capaz, abrandava.

Ora fui sempre a dar o máximo mas aos 5 km já tinha esquecido por completo qualquer hipótese de record pois esses 5 km iniciais foram demolidores (e o resto também...).
E quando não havia subidas duras, no pouco plano que aparecia, apanhávamos forte vento contra!

Quase na meta. reparem no meu esforço e na calma do Pedro :)
A partir daí o pensamento foi o tentar concluir abaixo das 2 horas. esta foi a minha Meia número 51 e nas anteriores 50 apenas o fiz por 6 vezes.

Contei desde os primeiros metros com uma muito preciosa ajuda, o Pedro Carvalho, que corria em casa e ia dando indicações do que aí vinha.

O Pedro tem capacidades para correr muito mais mas foi toda a prova ao meu lado. Um grande muito obrigado, Pedro!!!

O abraço em forma de agradecimento após a meta
Depois de termos dado a volta quase completa ao Alfeite e à Lisnave (que desolador aquele abandono!), enfrentávamos uma subida entre os 15 e os 17, sendo que a partir daí, e teoricamente, seria a descer. Pois, pois... ainda faltavam umas boas no Parque da Paz.

Consegui resistir e cortar a meta em 1.57.19, terminando abaixo das 2 horas pela 7ª vez em 51 Meias, e com o 5º melhor tempo de sempre, a apenas 44 segundos do 2º melhor. Do record é que foi a 4.41 e um bocado mais daquele tempo que julgo estar ao meu alcance. Mas esse alcance tem que ser numa prova de percurso favorável e sem vento forte.
Sendo o percurso que foi, sinto que foi um tempo magnífico para mim.

Não se pense que estou a criticar a prova, mas apenas constatar a sua dureza. Sem dúvida que é daquelas que merece sempre ser feita e é diferente. De parabéns a organização e venha a 4ª edição, de preferência já para o ano e sem mais interrupções.

A próxima prova é no sábado, a minha 11ª presença na Lagoa de Santo André. Depois disso, a prova seguinte é apenas 2 meses e meio depois, Corrida do Tejo. Mas não se pense que irei parar pois nesses 2 meses e meio muito longo irei percorrer em direcção ao Porto! 






Não quero terminar sem prestar a minha homenagem à Scully com quem tivemos o prazer de conviver durante quase 16 anos e meio e que nos deixou na 3ª feira mas que nos irá sempre acompanhar nas nossas melhores memórias.

Scully 2001-2017