domingo, 15 de abril de 2018

Nos 20 Km integrados na Estafeta Cascais-Lisboa

Antes da prova, os 4 ao Km presentes (eu, Aurélio e João Cravo)

A Estafeta Cascais-Lisboa é a prova mais antiga de Portugal, das que se mantém em actividade, existindo desde 24 de Abril de 1932.

Realizou-se hoje pela 80ª vez, com a sua 79ª edição. E não, não há aqui engano. Sucede que na edição inaugural, à última da hora, a prova foi encurtada por não ter sido permitida a chegada a Lisboa. Assim, foi considerada como edição 0 tendo a segunda edição recebida a denominação de 1ª.

Disputou-se ininterruptamente até 1952, regressando em 1954 e 1955 e depois de novo ano ausente, de 1957 a 2004. Após uma ausência de 2 anos, teve nova edição em 2007, no que parecia ter sido o canto do cisne. Porém, em boa hora, a Xistarca renasceu-a em 2011, com um percurso mais compacto de 20 km entre Estoril e Belém, juntando-lhe uma prova de 20 quilómetros.

E foi nessa de 20 quilómetros que participei hoje, tal como em 2011 e 2016, tendo estado presente na Estafeta em 2012, 2013, 2014 e 2017. Por outras palavras, apenas não participei neste evento (desde que regressou) em 2015 por se ter disputado no dia em que cumpri o sonho de correr na Maratona de Paris. 

Abro aqui um parêntesis para assinalar um erro que se comete de há 2 anos a esta parte, quando é voz corrente que após a passagem dos 20 km de Cascais para Meia-Maratona, apenas ficou Almeirim como a única prova de estrada com 20 quilómetros. Tal é esquecer esta que se disputou hoje pela 8ª vez e sempre com presença assinalável de várias centenas de atletas.  

Como sempre, este evento é muito animado, em especial com as passagens nas transmissões onde os atletas que aguardam o seu turno vão fazendo a festa. Na transmissão de Santo Amaro (2ª para 3ª) e Alto da Boa Viagem (3ª para 4ª), faziam alas ao melhor estilo da Volta à França, aplaudindo energeticamente.

Classificaram-se 784 atletas nos 20 km e 137 equipas (548 atletas) na Estafeta, que deram por muito bem empregue a manhã. E se choveu, como as previsões apontavam, foi sempre chuva fraca, daquela ao estilo da chamada "chuva molha tolos", o que naturalmente significa que nenhum de nós se molhou :)

A minha intenção para hoje, já declarada na semana passada, era baixar das duas horas, o que seria bom para o momento actual. Para tal seria necessária uma média inferior a 6 minutos. Certo que na Meia da Ponte a minha média foi 5.56, numa prova com um factor a favor e um contra. Na Meia, o percurso era muito favorável, enquanto este tem as suas vicissitudes, nomeadamente com 4 subidas (Estoril, São João do Estoril, Santo Amaro de Oeiras e a sempre temida subida do Alto da Boa Viagem). Mas na Meia houve a dificuldade do muito vento contra entre Cais do Sodré e Dafundo, enquanto aqui havia essa incógnita.

Felizmente o vento não foi factor e a temperatura estava adequada para a corrida (muito diferente da brasa do ano passado).

Na passada sexta-feira fiquei com a moral mais alta ao fazer séries (neste caso apenas série por estar a dois dias de 20 km). A melhor desde o meu regresso pós-operatório tinha sido realizada na semana passada em 4.38 mas todas até ao momento não tinham dado boas sensações por não estar a conseguir geri-las bem, indo um pouco aos repelões. Na sexta a série foi perfeita. Mais rápida (4.25) e muito bem gerida, sempre regular e terminando bem melhor do que as anteriores. Isso aumentou-me a confiança para esta prova.

E hoje também fui muito regular, acabando por realizar um tempo bem melhor do que esperava. Nas duas anteriores presenças, em 2011 marquei 1.57.05 e em 2016 1.56.17, e não imaginei fazer melhor que estes valores mas foi o que sucedeu.


A curvar para a meta (obrigado pela foto Maria José Bonito)
Terminei em 1.54.51, média de 5.44 e fui sempre na casa dos 5 quarentas, após o primeiro par de quilómetros a aquecer. Depois coloquei esse ritmo e aí mantive-me, mesmo nas subidas.

Ao quilómetro 13 senti que parecia ir quebrar, e que péssima altura pois a subida do Alto da Boa Viagem aproximava-se, mas tal como veio essa sensação, logo passou e pude fazer bem a subida.

A 3 quilómetros e qualquer coisa, comecei a sentir o desgaste mas passei a utilizar a minha táctica habitual, ir olhando para o relógio para receber energia através da marca que estava a registar e consegui aguentar sem qualquer quebra, até melhorando no último quilómetro quando me apercebi que ainda podia baixar do minuto 55.

Desde muito cedo que concluí que as sub2 horas estavam garantidas, depois que poderia ser minuto 56, na última légua minuto 55 e então no último quilómetro que poderia mesmo ir ao 54.


Após a meta (obrigado pela foto Nuno Moreira)

Cortei a meta feliz e com a sensação que o trabalho está a ser bem dirigido. Claro que não posso pensar que há 4 meses atrás bati o meu record aos 20 com menos 9 minutos (1.45.48) mas sim que a coisa está a evoluir notoriamente.

E tal como já afirmei, não quero queimar etapas, não pretendo ter um pico de forma mas sim uma forma consistente e duradoura como a anterior à operação, quando desfrutei dos 2 melhores anos de sempre.

Próxima corrida, a 41ª Corrida da Liberdade a 25 de Abril.

Até lá, tudo de bom para todos!





  

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Efeméride: 15 anos dum dos mais fabulosos records mundiais


Sendo o Atletismo uma modalidade multi-disciplinar, multi-género e multi-escalão, conta com muitos records mundiais. Todo e qualquer um é fantástico pois significa que alguém fez o que nunca tinha sido efectuado por qualquer um dos milhares de atletas mundiais.

Mas sendo qualquer um fantástico, alguns ganham uma mística especial por razões como a quebra de alguma barreira, seja cronométrica ou distância, ou pela diferença alcançada em relação à anterior marca.
E é exactamente essa última razão o mote para esta efeméride.  

13 de Abril de 2003, 23ª Maratona de Londres. A britânica de 29 anos Paula Radcliffe alinhava à partida com o favoritismo normal de quem era a recordista mundial. 
Exactamente 6 meses antes (13 de Outubro de 2002), tinha batido de forma extraordinária o record mundial da Maratona em Chicago, com a marca de 2.17.18, retirando a incrível fatia de quase minuto e meio (1.29 para ser exacto) ao anterior record, pertença de Catherine Ndereba desde a mesma Maratona de Chicago mas do ano anterior, 2001.

Já tinha sido uma quebra fenomenal, a maior desde 1983. Recordemos que a primeira Maratona oficial feminina decorreu apenas no ano anterior de 1982, nos Europeus de Atenas com a vitória da nossa Rosa Mota.

O que ainda não se sabia, à hora da partida desta Maratona, é que esse 13 de Abril de 2003 iria ficar para a história como um dos records mundiais mais extraordinários, pelas razões em cima apontados.

Senhora duma aparência muito serena, com ar de quem não faz mal a uma mosca, Paula Radcliffe transfigurava-se a correr, parecendo uma guerreira em esforço final por cada passada que dava. Uma lutadora de fibra, regressando o seu ar sereno após o esforço.

Faz hoje 15 anos, Paula fez, segundo o director de prova Dave Bedford, antigo recordista mundial dos 10.000 metros (27.30,80 em 1973, marca batida em 1977) "a maior performance em corrida de fundo que vi em toda a minha vida".



Paula quis atacar o seu record e fê-lo com a máxima preparação, determinação e empenho. De tal maneira que aos 20 km já seguia 1 minuto à frente da sua própria marca realizada 6 meses antes. Adivinhava-se o minuto 16, facto sensacional e dificilmente sonhado pouco tempo antes mas desde que Paula aguentasse o ritmo diabólico, o que muitos especialistas não acreditavam ser possível, como o seu fisiatra Gerard Hartmann que dizia "Ela vai rebentar! Não vai passar dos 30!"

Ajudada por uma multidão em delírio pela prestação da sua atleta, Paula chega a estar 2 minutos à frente da sua marca! Começa então a sofrer ameaças de cãibras mas a quebra de ritmo é pouco perceptível, ganhando uma energia suplementar quando sabe que podia baixar do minuto 16! E a história é curiosa de ser narrada. O antigo medalhado de bronze Peter Elliott estava na moto da câmara da BBC e recebeu um pedido de mensagem do treinador e marido de Paula, Gary Lough. Peter gritou-lhe então "Gary disse que se acelerares chegas antes do minuto 16". Pensando para si própria "Vai-te lixar Gary, eu vou o mais rápido que consigo!". O que é certo é que essa "cenoura" deu-lhe aquela força extra que parecia já não ser possível. 

E baixa do minuto 16 e de que maneira! Com um final com tudo no limite, indo buscar forças onde já não existiam, Paula corta a meta em 2 horas 15 minutos 24 segundos e 6 décimos, sendo considerada a marca de 2.15.25!!!



A fatia retirada, ainda foi maior que a anterior, cifrando-se em menos 1 minutos e 53 segundos!!! Em relação à marca da 2ª melhor atleta de sempre na altura, estamos a falar de 3 minutos e 22 segundos!

A sua táctica foi... correr sem limites! E com um excelente split negativo: 1.08.02 na 1ª metade e 1.07.23 na 2ª!

A notícia deixou o mundo do Atletismo boquiaberto com tamanha façanha. Foi considerado que Paula alcançou o impossível. E 15 anos depois, mantém-se a mesma sensação de impossível que foi possível pela prova perfeita, num dia perfeito, com a forma perfeita!

Note-se que o tempo de Paula ficou dentro dos mínimos para os mundiais de Paris desse ano... no sector masculino!

E passados 15 anos? Ninguém se aproximou significativamente. A segunda melhor marca é de Mary Keitany, desde Londres do ano passado, mas a 1.36, fazendo desta marca ainda uma miragem.

Atentemos nas melhores 10 marcas de sempre até ao dia de hoje:

Lugar
Tempo
Atleta
País
Maratona
Data
1
02:15:25
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2003-04-13
2
02:17:01
Mary Keitany
Quénia
Londres
2017-04-23
3
02:17:18
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Chicago
2002-10-13
4
02:17:42
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2005-04-17
5
02:17:56
Tirunesh Dibaba
Etiópia
Londres
2017-04-23
6
02:18:31
Tirunesh Dibaba
Etiópia
Chicago
2017-10-08
7
02:18:37
Mary Keitany
Quénia
Londres
2012-04-22
8
02:18:47
Catherine Ndereba
Quénia
Chicago
2001-10-07
9
02:18:56
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2002-04-14
10
02:18:58
Erba Gelana
Etiópia
Roterdão
2012-04-15

Curiosidades: 
- Paula Radcliffe não só é a detentora do record mundial como tem 4 marcas no top10
- Enquanto no sector masculino a Maratona de Berlim domina com 7 marcas nas 10 melhores, no sector feminino a predominância é de Londres com 6 marcas, seguida de Chicago com 3 e Roterdão 1. A melhor de Berlim no sector feminino está em 11º. 

Outra curiosidade é que só em 1958 o sector masculino alcançou uma marca melhor que as 2.15.25. Por outras palavras, os homens necessitaram de 62 anos de evolução na Maratona para alcançar tal patamar (a primeira Maratona realizou-se nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896). 
Em constraste com os 62 anos, o sector feminino necessitou de apenas 21 anos para chegar a uma tal marca, considerando 1982 como o da primeira Maratona feminina oficialmente reconhecida pela IAAF.

Recordemos que apenas foi permitida a participação feminina nos Jogos Olímpicos em 1928 e com a distância máxima de 800 metros. No entanto, especialistas (?) consideraram que tal distância era demais para o "frágil" corpo duma mulher, com justificações "científicas" como correrem distâncias dessas poderiam provocar a queda do útero (!!!) e essa distância esteve proibida até 1960, sendo 400 metros o limite. Apenas em 1972 puderam participar nos 1.500 metros para tudo se normalizar nos anos 80, apesar da bizarria de nos Jogos Olímpicos de 1984 fazer parte do programa a Maratona mas não os 10.000 que apenas surgiram em 1988.
Hoje em dia, mulheres há que correm centenas de quilómetros numa só prova...  



Lamentavelmente, este record esteve administrativamente em perigo em 2011 quando a IAAF quis anular as marcas que tivessem sido obtidas em provas mistas, o que era o caso das 2.15.25 de Paula Radcliffe mas não os também seus 2.17.18 que ficariam como record vigente, no que seria um enorme crime contra este feito inolvidável.

Felizmente voltaram atrás, digamos a 50%, criando 2 records, o absoluto e o de provas exclusivas femininas (pode ser realizado em provas mistas mas com partida antecipada).

Este é um assunto, na minha opinião, altamente controverso. Uma atleta ser acompanhada por um homem pode ajudar mas continuam a ser as suas pernas a conseguir cumprir a distância. 
Fala-se em ajuda competitiva. Pergunto eu: Será de criar dois records no sector masculino para os realizados com recurso a lebres e os sem lebres? Pela anterior consideração, a utilização de lebres não será também uma ajuda competitiva? 
Sim, sei que seria muito difícil de policiar. Um atleta poderia servir de lebre, puxando demais no início e depois desistir e poderia ser utilizado o argumento que iria realizar toda a prova mas não geriu o andamento. Não seria possível provar que apenas tinha ido para servir de lebre nem provar que o atleta vencedor foi ajudado pelo facto. 
E no sector feminino? Como provar que sem a presença de atletas masculinos a atleta não faria o mesmo?

Como disse, é controverso e, na minha opinião muito pessoal, a IAAF não deveria ter criado esta clivagem. Mas já sou eu a divagar pois o que conta hoje é reter a efeméride deste fantástico e inacreditável record mundial.

Foi há 15 anos. Quantos mais durará e quem o poderá bater?



domingo, 8 de abril de 2018

Na Corrida do Benfica (quem arrisca, nem sempre petisca, mas foi bom)

No final da prova, a armada 4 ao Km presente a ser fotografada dentro do belo estádio (Eu, Orlando, Aurélio e Sofia)

Aqui a uma hora do início da prova em frente ao Colombo

Hoje foi dia de participar na Corrida do Sport Lisboa e Benfica, homenageando agora no nome o saudoso António Leitão, brilhante medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1984 em 5.000 metros.

Registei a minha 3ª presença mas as anteriores foram em 2007 e 2008, o que significa que já não entrava há 10 anos e pude constatar muitas mudanças e todas para melhor.
Se a edição de 2007 tinha sido bem organizada, a de 2008 foi um desastre. Foi daqueles dias em que tudo que podia ter corrido mal a nível organizativo, correu mal. 

Hoje deparei-me com uma corrida muito bem organizada e com uma estrutura humana profissional e empenhada em proporcionar o melhor ao atleta.

Entre muitos factores, enuncio aqui pequenos pormenores que fazem a diferença. Começo por sexta-feira quando levantei os dorsais. Como a file era grande, vinha até fora do museu, num dia muito chuvoso. Então instalaram uma série de filas de toldos para o pessoal estar abrigado enquanto aguardava a entrada.
Outro pormenor era o dorsal tinha impresso números de emergência médica para qualquer eventualidade.
E finalmente a partida por vagas. Sou forte defensor deste tipo de partida nas provas cuja participação assim o justifica. O tempo da classificação é o do chip, o que dá maior justiça à lista, e todos podem começar a correr logo desde a partida. Além de a partida ficar escalonada de forma decrescente dos mais rápidos aos menos rápidos, o que faz que o trânsito inicial seja a direito e não a desviar nas partidas tradicionais onde muitos se esquecem de que "cada macaco no seu galho" e partem mais à frente do que o seu potencial, obrigando os atletas mais rápidos a fazerem constantes desvios, com o consequente perigo de queda e mesmo de carambola.

Com o grande Nuno Sentieiro, já colocados na nossa caixa de partida
A manhã apresentou-se boa para correr, sem vento, sem chuva e temperatura qb. 
A táctica que idealizei foi diferente do que tem sido. Em Constância marquei 52.40 (mas aquele percurso assenta-me como a melhor luva), fazendo uma prova de trás para a frente. Hoje decidi imprimir um ritmo mais forte de início para ver até onde dava. Se aguentasse, o que tinha sérias dúvidas, marcaria um tempo fantástico para o momento actual. Se quebrasse, iria gerir no restante. Foi assim um risco calculado e planeado, sem qualquer problema em assumir se não resultasse, como sucedeu.

Iniciei a prova em bom estilo no primeiro quilómetro e, aproveitando o mais favorável segundo, dei-lhe aí mais forte (4.54). Ao terceiro apercebi que a bateria não teria carga para todo o tempo de prova mas tentei ver até onde ia. Tal como disse, foi uma experiência para aquilatar do que posso fazer ou não e do que tenho que trabalhar melhor. 
Fui aguentando pois aproximava-se o aliciante da passagem pelo estádio, momento sempre marcante e que passa rápido demais para o que queríamos. 

No parque de estacionamento interior que dá acesso ao relvado e onde se sobe de piso, tive a certeza do "kaput" nessa subida mais inclinada, mas mantive com a tal cenoura da passagem pelo relvado.
Faço aqui um parêntesis para relembrar quem estranhou que o GPS não tivesse chegado aos 10 km que aqui perdiam o sinal.

A passar dentro do estádio. E não, o rabo de cavalo não é meu! (Foto Luís Duarte Clara)


(Foto Correr Lisboa)
Quando dei por mim já estava cá fora, a placa dos 5 km a aparecer, a cruzar-me com os dois primeiros que vinham colados (Rui Pinto e André Pereira, tendo o Rui depois ganho uma vantagem decisiva) e a ter que dar "uma acalmada no pneu", frase tantas vezes dita pelo meu super-herói Ayrton Senna.

Para "desfacilitar" a segunda metade é a mais dura e tive aí que ir poupando a tal energia na bateria que estava a chegar a níveis críticos. Entretanto cruzei-me com a Ana Dulce Félix que fez a sua corrida de regresso pós-maternidade. Um regresso que se saúda.

A boa notícia é que, apesar de ter expectavelmente quebrado, consegui resistir num ritmo agradável. Apenas no último quilómetro comecei a perder várias posições, não por diminuir o andamento mas por não acompanhar o aumento do mesmo como outros faziam pela aproximação da meta. Meta que cortei em 54.48, tempo que considero satisfatório. Pensando na paragem de 7 semanas, considero que foi uma boa corrida. Muito em especial pelas ilações que tirei para saber melhor o que terei que ajustar nos treinos.

Quase na meta. Quem julga, pela minha cara, que estava a dar as últimas, não se engana! (foto Luís Duarte Clara)
Para a semana, a prova a disputar são os 20 Km Cascais-Lisboa, prova englobada em concomitância com a Estafeta Cascais-Lisboa, a prova mais antiga do país ainda no activo, com a sua 79ª edição que, na realidade é a 80ª dado que a primeira foi considerada a edição 0, tendo sido realizada em 1932.
O meu objectivo é terminar abaixo das 2 horas. Esperemos que não esteja vento contra pois, caso sopre desse lado, será a prova completa!

Uma boa semana para todos! Em princípio regresso aqui na sexta-feira com uma efeméride especial da história mundial do Atletismo em geral e da Maratona em particular.




A medalha da prova

O saco do Kit e respectiva camisola. 

sábado, 31 de março de 2018

No Grande Prémio da bela Vila Poema de Constância

Com o Manuel Sequeira, companheiro de viagem

Esta é daquelas que anseio todo o ano. Sinto-me bem ali, numa vila tão bonita como Constância, onde o Tejo e o Zêzere se unem, e adoro o percurso, que me dá sempre inspiração (e asas).

Assim, rumámos, conjuntamente com o casal Sequeira a Constância, o que fiz pela 10ª vez.
E a sensação final é sempre a mesma, o pensar "ainda falta um ano para tornar a correr neste percurso". Como se percebe, eu e estes 10 quilómetros é uma questão de paixão e as paixões não se explicam.

Antes da prova, recuemos dois dias. Senti que chegou a altura de regressar às séries, cujas últimas tinham sido há quase 4 meses, poucos dias antes da primeira intervenção.
O meu esquema normal é aquecer 3 quilómetros, seguindo-se 400 metros de calma, 1 quilómetro a dar o máximo, 400 metros de calma, 1 quilómetro a dar o máximo e termino com 1.200 de retorno à calma. Apenas como base de comparação, nada mais do que isso, andava a fazer entre 4.15 a 4.20 na 1ª série e entre 4.05 a 4.10 na 2ª série (o melhor de sempre que consegui foi 3.54). 

Naturalmente que após a paragem e ausência de séries, a diferença tinha que ser significativa, como o foi. Registei 4.49 na 1ª, o que me deixou satisfeito. Na 2ª, abortei a série aos 650 metros, por ter abusado nos primeiros 500 metros e numa altura que a média apontava para 4.36
Fiquei contente com o treino, principalmente pelas sensações e foi um bom "boost" para hoje em Constância. Tenho muito espaço para evoluir e quero fazê-lo de forma sustentada e duradoura. Como tão bem disse o Nuno Moreira, esta recuperação é uma Maratona, não um sprint.
Sei que há quem estranhe fazer séries a 2 dias duma prova mas os resultados falam por si pois tenho-me dado sempre bem com este esquema. Prova-se com o facto de o ter feito no ano passado 2 dias antes de ter batido o record dos 10, dos 15 e da Meia.

Antes da prova, preparado para o ataque, e com um número de elite! :)
O meu objectivo para hoje em Constância era fazer a melhor prova possível para o momento actual. Em 2011 bati aqui o meu records dos 10 com 50.08, quase, quase a ser sub50, o que já andava a lutar desde o início de 2007 e só consegui no final de 2016. Já tenho 5 sub50 mas nenhum em Constância e gostava muito de um dia poder marcar esta corrida tão especial para mim com uma marca assim. Claro que este ano estava fora de hipótese mas, se não houver qualquer contratempo, quem saberá se em 2019...?

Fomos brindados com um lindo dia de primavera e, grande realce para o contrário do que tem sido corrente em Março, sem vento! Até vou repetir: Sem vento!

Este percurso possui uma particularidade curiosa. Tem descidas e subidas mas sempre suaves. A curiosidade é que para lá parece descer muito mais do que sobe e no sentido contrário... também parece descer muito mais do que sobe. Claro que fisicamente é impossível mas não deixa de ser uma sensação curiosa que tenho.

Arranquei calmo, decidindo só colocar o ritmo após a subida em empredado, por volta dos 300 metros. Passei praticamente em último, iniciando então uma corrida de trás para a frente e fixando-me regularmente entre os 5.10 e 5.19, na esperança de ver se aguentava.

Primeiros metros nas calmas
Os quilómetros foram passando, sempre com o Zêzere como companhia, notava a pulsação acelerada mas controlada. 

Passei no retorno, rigorosa metade da prova em 26.59 o que achei curioso pois com uma 2ª metade igual faria 53.58, exactamente a melhor marca que tenho desde o regresso, feita nos Salesianos. Mas queria melhor...

E deu-se aquele efeito habitual neste trajecto. Dou a volta e... se vinha com bom ritmo, melhor ficou! Não sei o que me sucede ali mas quando inicio o regresso, parece que ganho asas.

E as contas, quilómetro após quilómetro foram evoluindo de "consigo fazer melhor que os 53.58" para "consigo baixar dos 53.30", depois "consigo baixar dos 53". E assim foi. Se a 1ª metade foi em 26.59, a 2ª limitou-se a 25.41, 1 minuto e 18 mais rápida, apesar do desgaste acumulado.

Usei a minha táctica habitual, que é nas alturas de maior cansaço olhar para o relógio. É o meu "energizador" mental. Ao ver a marca que vou a realizar, ganho energia para me aguentar até à linha de meta. 
Já sabem, quando numa prova virem que olho muito para o relógio, é que a coisa vai bem. Naquelas que nem olho para ele... ui... a coisa está mal! :)

Cortei assim a meta em 52.40, de longe a minha melhor marca desde o regresso e com o melhor quilómetro o último em 5.00 (menos 1 segundo e entrava no minuto 4).

A ir cortar a meta e a deixar transparecer a alegria
Após a meta, sentia-me muito cansado mas recuperei rápido. 

Enriqueci assim o meu historial nesta prova onde tenho registado sempre grandes marcas. Sempre, quer dizer, não há regra sem excepção mas a excepção foi programada. Em 2015 finalizei na casa do minuto 59 mas na semana anterior à Maratona de Paris. Como não queria perder esta prova, combinei comigo próprio que ia fazê-la em ritmo de treino calmo. E como sabem que nestas coisas sou muito disciplinado, assim o foi.

Com o bonito troféu todo em cortiça, a comemorar 30 edições desta prova
E por falar em disciplinado, tenho pela frente mais uma semana de treinos que já estão planeados e com o dia de séries na 6ª feira.
Domingo, é dia da Corrida do Benfica António Leitão.





Amanhã é 1 de Abril e pensei ser giro inventar aqui uma mentira qualquer em forma de brincadeira. 

Depois de pensar em várias hipóteses, acabei a interrogar-me se se justifica haver um dia para as pessoas mentirem. Isso significaria falar-se verdade nos restantes 364 dias. Mas a verdade tem sido tão maltratada a nível global! 

Por mais paradoxal que pareça, num momento onde o acesso à informação é imediato e onde temos todo um manancial de informação disponível, a circulação de notícias falsas atinge valores inacreditáveis. E o pior é que são os seres humanos, e não robôs de internet ao serviço de algoritmos duvidosos, que mais partilham essas notícias que ferem a verdade de morte. Estudos há que comprovam que  uma notícia falsa é partilhada 70 vezes mais que uma verdadeira. Porque normalmente trazem choque, surpresa, repulsa ou medo. E como há os acérrimos defensores de que os fins justificam os meios, vemos mentiras repetidas exaustivamente até se formarem aos ouvidos populares como verdades absolutas. Seja para fins políticos, empresariais, desportivos ou tantos outros. Apelidava-se de quarto poder mas hoje em dia essa hierarquia está alterada. 

Por isso, sugiro que em vez de termos um dia das mentiras, fosse criado um dia das verdades. Seria curioso ver todos os chamados fazedores de opinião, políticos, empresários, dirigentes desportivos e outros falarem verdade!

Uma Feliz Páscoa e uma excelente semana a todos!